Cada coleção começa da mesma forma.
Não perante uma folha em branco.
Não perante um ecrã.
Começa por uma matéria.
Antes de desenhar uma silhueta, procuramos um tecido que já conte alguma coisa. Tocamo-lo, observamo-lo, deixamo-lo viver entre as nossas mãos. A sua textura, a sua luz, o seu cair e o seu movimento desenham já as primeiras intenções.
Foi assim que o linho se tornou o ponto de partida da nossa primeira coleção.
Uma matéria que mostra a sua verdadeira natureza
Poderíamos ter começado por um corte, uma cor ou uma tendência.
Preferimos começar por aquilo que nem sempre se nota à primeira vista: a matéria.
O linho seduziu-nos imediatamente pela sua sinceridade.
Não tenta ser perfeitamente liso. Aceita os seus vincos, capta a luz de forma diferente conforme a hora do dia e torna-se mais suave com o tempo.
Vive com quem o veste.
É precisamente isso que nos toca.
Gostamos de matérias que não tentam dissimular a sua natureza, mas que a revelam com simplicidade.
O linho convidava-nos já a criar peças de vestuário que nos apeteceria encontrar, ano após ano.
Algumas matérias já contam uma história antes mesmo de uma peça de vestuário existir.
Deixar a matéria guiar as linhas
Quando escolhemos o linho, ainda não estava desenhada nenhuma silhueta.
Sabíamos apenas que queríamos criar peças simples, equilibradas e feitas para durar.
Os primeiros esboços vieram depois.
Ou melhor, apareceram pouco a pouco.
Como se as linhas já estivessem presentes no tecido.
Nós desenhamos.
Depois apagamos.
Retiramos.
Recomeçamos.
Cada detalhe é questionado até restar apenas o essencial.
Porque uma linha correta atrai menos a atenção do que traz evidência.
Uma coleção é feita de várias matérias
O linho tornou-se o fio condutor desta primeira coleção.
Mas não está sozinho.
O algodão natural impôs-se para os forros de vários modelos. Invisível na maior parte das vezes, traz suavidade e conforto, mantendo-se fiel à nossa vontade de privilegiar fibras naturais.
Depois veio a rami.
Gostamos do seu carácter discreto.
Acompanha certos detalhes, um laço, um folho, um acabamento, com delicadeza, sem nunca tomar o lugar do conjunto.
Cada matéria foi escolhida pelo que traz à peça de vestuário.
Nenhuma tenta atrair o olhar.
Todas participam no mesmo equilíbrio.
O que vemos antes de uma peça de vestuário
Quando se descobre uma coleção, nota-se frequentemente as cores ou as silhuetas.
Nós, vemos primeiro as matérias.
Porque é aí que tudo começa.
No toque de um tecido.
Numa fibra que inspira uma linha.
Nesse diálogo silencioso entre a matéria e o gesto.
A peça de vestuário vem depois.
A nossa primeira coleção nasceu deste encontro com o linho.
E gostamos de pensar que cada uma das suas peças ainda carrega a sua memória.
As mais belas criações começam frequentemente por uma matéria que tivemos tempo de compreender.
Elisabete